O que aprendi sendo Animadora de Páscoa

bombomAnimador de Páscoa é aquele profissional que fica, teoricamente, debaixo da parreira de ovos de chocolate para auxiliar o shopper a encontrar ou decidir-se pela compra do seu produto, mas que na prática fica conversando com outros animadores ou distraído com seu smartphone, porque ganha mal (ganha mal, por isso acha que tem que trabalhar mal e quem foi que o obrigou a fazer esse trabalho? Faz direito o seu trampo, porra!).

Após um processo de seleção que tinha uma fila compatível a um show de algum sertanejo, mais um treinamento constrangedor e a burocracia da entrega de documentos no RH da empresa contratante, finalmente pude vivenciar durante duas semanas tal trabalho. Acompanhei o comportamento dos compradores no ponto de venda, fui hostilizada, bem tratada, conversei, ouvi histórias e reclamações (muitas!), ajudei pessoas com deficiências físicas mesmo sem que elas necessariamente tivessem levado produtos da marca que representei e conheci pessoas legais assim como outras nem tanto, mas as legais compensaram as de menor relevância como a Cristina minha companheira nessa jornada de trabalho.

Primeiro de tudo: não tem nada de legal ficar 7 horas em pé num supermercado ou 17862762_1225401414255851_2663707821548073621_nloja mesmo que não haja gente para atender. É desumano. Quem criou essa regra não deve ter passado nunca por isso. Segundo, atendi bem e com educação da forma como gostaria de ser atendida, mas até o ponto em que era desrespeitada e percebi que a hostilidade dos compradores mina os ânimos de quem está lá para prestar um serviço. Vejam: prestar um serviço e não ser capacho. Terceiro, reclama-se demais e compra-se na mesma proporção, incoerente demais; por isso as empresas enfiam a faca nesses produtos sazonais, porque a gentinha só reclama e paga do mesmo jeito. Mudança de hábito gera mudança de preços – fica a dica. Quarto, a maioria das pessoas compra com raiva, porque tem que comprar e não sabe porque precisa comprar: se endividam, parcelam no cartão de crédito e roubam também. Roubou-se bastante no local em que trabalhei. Debaixo do meu nariz, descaradamente.

Não é que estão roubando um quilo de arroz para colocar-se o que comer na mesa. Roubaram por vaidade, porque tem que se comer chocolate na Páscoa, aliás, por que come-se chocolate e tanto chocolate nesse período? O que é que se comemora mesmo nessa data? Ah, a ressurreição de Cristo, né? O cara que se sacrificou por todos os homens em nome do amor. Não que roubar um gênero alimentício de primeira necessidade seja justificável, mas pessoas de TODAS as classes sociais, passaram a mão em muitos produtos pasqualinos pela facilidade, pela ganância, vantagem e pelo mau caratismo mesmo.

A lição que fica é que os animais são mais civilizados que os seres humanos.

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